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Elda Evelina é artista visual, palestrante e escritora. As ilustrações e capas de seus livros, em sua essência de conteúdo espirituais, são criações suas. Suas obras (artes plásticas e eletrônicas), livros, palestras, mensagens e cartões estão publicados no site eldaevelina.com e seus livros também estão disponíveis no site bookess.com.br/profile/eldaevelina."

 


Homenagem – Dia Internacional da Ajuda Humanitária
19 de agosto


No mês de agosto temos várias datas comemorativas e, entre elas, eu selecionei duas para homenagear – Dia da Infância (24 de agosto) e Dia Internacional da Ajuda Humanitária (19 de agosto).

No entanto, eu tinha que escolher uma delas como artigo a ser publicado no Boletim Cultural Digital da NGArte Produtora Cultural. Não é fácil identificar qual seria mais importante nesse momento em que vivemos. Enfim, eu selecionei o Dia Internacional da Ajuda Humanitária por ser um tema de grande expressão nesses momentos de turbulência social, como também de grande expressão no âmbito mundial.

Independente disso, disponibilizo o link para a publicação da minha homenagem ao Dia da Infância - www.eldaevelina.com/?p=10172



Construção da Paz

O estudo sobre a Construção da Paz levou-me a uma introspecção muito profunda, mais do que outros estudos já haviam provocado em mim.

Percebi a complexidade de um processo assim. Envolve tantas variáveis que dificilmente conseguiria abordar, ainda que tão somente uma parcela do que representa.

 
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Obra: Suave Navegar

Construir a Paz em nós não é uma questão de simplesmente buscar uma tranquilidade interior; sentir-se bem apesar de movimentos ou barulhos ao nosso redor. Esta é uma paz relativa, frágil.

A Paz verdadeira exige de nós um processo constante, contínuo; uma conexão ininterrupta do Ser mental, racional, com a Alma que anima nosso corpo. Interligação estreita com as Leis Divinas inscritas em nossa Consciência, essencialmente com o amor em sua mais sublime expressão.

Ainda não estamos em estágio de alcançarmos essa beatitude, mas deverá ser a nossa meta.

Enquanto não ativarmos um processo dessa magnitude em nós, a paz que alcançaremos será efêmera. Bastará um movimento desarmonioso inesperado em nossa direção para nos desestabilizar e provocar uma reação da nossa parte, reação essa fará reverberar uma energia que redundará em ondas consequentes... e inconsequentes.

Construir a Paz em nós não é fácil. Ainda não estamos convictos de ser importante, temos dúvidas, convivemos com incertezas. Principalmente quando se nos apresentam situações que exigem profundas reflexões a se mostrarem bem diversas daquelas com as quais estamos mais afinizados.

Quando Jesus disse que não havia trazido a paz e sim a divisão (ou espada), certamente não estava dizendo que gostaria de trazer a espada, mas que a divisão seria inevitável.

Faz-nos crer que ele já previra situações em que pessoas de uma mesma família fariam opções diferentes sobre que religião, conceitos, valores e princípios filosóficos seguir. A vaidade e o orgulho ainda arraigados em nós promoveriam discordâncias e dissenções – a espada ou a divisão.

Não respeitamos as diferenças e cremos ter o domínio sobre a verdade. Não percebemos que cada um de nós está em um patamar evolutivo distinto dos demais companheiros de jornada. Alguns mais intelectualizados, outros mais sensíveis emocionalmente, outros mais espiritualizados.

O importante é compartilhar o que temos de melhor em nós e aprender com os irmãos de caminhada o que eles têm para nos oferecer e ensinar. Seguirmos juntos, de forma harmoniosa, em nossa jornada de evolução.

A paz tão almejada por todos nós, e pregada pelo amado Mestre Jesus, acontecerá quando a fraternidade universal suceder ao ódio; a luz da fé iluminar as mentes por ora nas trevas do fanatismo. Quando o Consolador se fizer verdadeiramente presente em nossos corações e nos conscientizarmos da essência do sentido das palavras do Cristo e os homens, então esclarecidos, compreenderão que somos todos irmãos, filhos de um mesmo Pai... Deus.

Para apresentar um tema é preciso envolver-se, ou melhor, imergir o mais profundamente possível no conteúdo a ser oferecido, buscar o entendimento, e não só isso, é observar o que efetivamente representa o estudo não só na vida das pessoas que irão ouvir, como também, e principalmente, acolher as referências, o conteúdo, em nossas próprias vidas. Identificar o quanto aquele tema tem a ver conosco, nossos conceitos, valores, crenças.

Não é levar um tema tão somente de forma intelectualizada, é preciso sentir, emocionar-se, tentar internalizar o ensinamento que está ali contido.

Falar sobre o tema Construção da Paz proporcionou um dos mais profundos mergulhos, tendo como objetivo a busca do como estar lidando com as intempéries do mundo à volta e o tentar encontrar e manter a Paz interior.

O que é viver em paz?

É viver em um mundo onde não haja violência, dissenções?

Estamos em um mundo de expiações e provas. Então, neste momento ainda não nos seria possível vivenciar esta paz Então, como poderíamos experimentar essa condição?

A paz é algo que acontece no nosso interior, independente da ambientação externa que nos cerca. Não é necessariamente a ausência de inquietação, ou estarmos indiferentes às condições dos nossos companheiros de jornada, pois isso seria falta de amor, insensibilidade à dor alheia. Podemos estar insatisfeitos com ocorrências ao nosso redor e, no entanto, confiarmos na providência divina e continuarmos nosso caminhar com fé.

É ter a consciência tranquila de haver buscado sinceramente o dever bem cumprido; do proceder de acordo com as Leis Divinas.

Para encontrarmos a Paz verdadeira, é importante termos em paz a nossa consciência. Investirmos no autoconhecimento, na autotransformação, na higiene emocional, e investirmos no desenvolvimento de virtudes como:
Verdade
Tolerância
Indulgência
Compaixão
Honestidade
Humildade
Ética
Moral
Esperança


Essas virtudes já fazem parte do nosso Reino interno, precisamos tão somente fazê-las brilhar em nós, pois a Paz está diretamente ligada ao desenvolvimento, à iluminação dessas virtudes. Ela ocorre na medida em que respeitamos as Leis Divinas inscritas em nossa consciência, quase sempre embaciadas por nossas condições evolutivas ainda incipientes.

O descumprir alguma dessas Leis compromete a nossa jornada em direção à Paz e à Felicidade. Desviamo-nos da rota rumo à nossa senda redentora.

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vô-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jesus em João 14:27)

“A paz verdadeira Ele nos trouxe, a paz a que se referiu quando estava para deixar o plano material. A paz que o mundo não dá.

Como conseguiríamos alcançar essa paz que não é do mundo, mas que pode ser conquistada no mundo?

Há algumas reflexões que nos podem auxiliar na busca por uma resposta a esta indagação.

A paz que nós queremos tanto só vai ocorrer quando percebermos a real necessidade de vivermos de forma fraterna.

Enquanto estivermos com o olhar de julgamento, nós não teremos paz. É comum percebemos algo e nos incomodarmos com a forma como outro é. Se nos sentimos incomodados já deixamos de sentir paz. Essa falta de paz não é por causa do outro, é por nós mesmos! Nós é que nos permitimos sentir incomodados por o outro ser diferente do que gostaríamos que fosse.

Não é simples nós identificarmos nossas fragilidades, imperfeições. Não queremos ver os nossos próprios erros, não queremos nos enxergar como realmente somos. Ainda somos orgulhosos e vaidosos. Não devemos nos sentir culpados por isso, é uma realidade que pode e deve ser transformada.

Se fôssemos perfeitos não estaríamos vivendo em um mundo de expiação e provas, já estaríamos em um mundo de regeneração, pelo menos.

Precisamos nos conhecer mais. Quem eu sou, como me comporto perante a vida, qual é a minha atitude nas minhas relações com as pessoas?

Li certa vez uma frase que nos remetia à seguinte reflexão: se eu partir amanhã, eu poderia dizer hoje que estou satisfeito com o que sou? Será que eu estou fazendo o que deveria fazer? Ou preciso mudar algo em mim?

Caso tenhamos esta proposta como meta, certamente conseguiremos ser melhores a cada dia, transformando pouco a pouco o Ser que somos.

Todas as noites deveríamos fazer uma reflexão sobre como foi o nosso dia: Meu comportamento foi adequado; há algo que deveria ter sido diferente e por isso devo procurar mudar o meu comportamento?

No dia seguinte, antes das tarefas rotineiras, deveremos pensar: Qual o compromisso que devo assumir hoje visando melhorar a minha vida, minhas atitudes?

Fazendo isso nós vamos encontrando a paz aos poucos, começaremos a gostar mais de nós mesmos.

Quanto mais satisfeitos estivermos com o nosso comportamento, com o nosso olhar, com os nossos pensamentos, mais estaremos em paz. Não porque teremos encontrado a perfeição, mas saberemos que poderemos transformar a nós mesmos.

Em nos transformando, conseguiremos tentar melhorar o mundo à nossa volta, torná-lo mais fraterno. Fazemos parte da grande família universal e nosso processo evolutivo passa pela conscientização de que Somos Um, e não indivíduos independentes, sem vínculos.

Todas as vezes em que nos percebermos em condições de mudar, e de nos melhorarmos, estaremos mais perto de encontrar a paz.

Nosso compromisso não é tão somente buscar a Paz em nós. Mantermo-nos no estado de beatitude é também ajudar nossos companheiros de jornada a encontrarem-na no recôndito da sua Alma. E não só isso, é ter atitudes que os façam conseguir mantê-la, tendo comportamento fraterno. Respeitar seu modo de pensar, suas necessidades, seu tempo de compreender sobre a vida, ainda que sejam diversos dos nossos.

Vivemos em um mundo em que coexistem várias personalidades com suas próprias idiossincrasias. É importante que tenhamos consciência disso. Cada um de nós tem o seu próprio modo de proceder; seu tempo para compreensão das ocorrências; valores muito particulares construídos durante a vida atual, bem como por várias existências ao longo de séculos ou milênios.

Mesmo quando estamos dispostos a buscar a Paz e tentar mantê-la em nós, por várias vezes podemos receber comentários de companheiros que nos levam a reagir de forma não fraterna. É quando a atitude do companheiro acaba por tirar a nossa harmonia interior e, de nossa parte, também agimos de forma a trazer desconforto a ele. Sabemos não ser fácil esse convívio.

Lembremo-nos da passagem em que Jesus disse: “Vós sois a luz do mundo. (…) Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” (Mateus 5:14 e 16)

Nós somos luzes, mas não nos permitimos fazer brilhar.

Nós vamos encontrar a paz quando percebermos esse Ser de luz que somos e deixarmo-nos brilhar para iluminar o mundo.

O que aprendemos durante a nossa jornada deve ser tornado útil, não pode ser guardado.

Quando nós efetivamente percebermos isso e cada um de nós fizer com que a luz própria brilhe, o seu conhecimento seja compartilhado, o mundo tornar-se-á melhor.

Vamos lembrar-nos também de um grande pensador e educador brasileiro – Paulo Freire. Ele disse certa vez: “não se pode confundir esperança do verbo esperançar com esperança do verbo esperar. Isso não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo. ” (1)

Precisamos ter persistência, mesmo quando não atingimos, de imediato, nossos objetivos. Quando queremos atingir uma meta, temos que promover na nossa vida atitudes que nos levam a alcançar essa meta.

Para alcançarmos a nossa paz e atingirmos aquilo a que viemos, devemos estudar, acolher o conhecimento, compartilhar, reconhecermos que somos luz e fazer brilhar essa luz e agir. Se assim não agirmos, o mundo não muda, continuará sendo o mundo para o qual simplesmente olhamos.

Temos que olhar o mundo e tentar transformar esse mundo. Sermos agentes da autotransformação e da transformação da sociedade em que vivemos, do mundo em que estamos inseridos.

Vale a pena assistir a um documentário cujo título é “Quem se importa” (2). É uma amostra da mobilização que há em várias partes do Planeta visando a nossa conscientização sobre o que há no mundo e o que podemos fazer para melhorar as condições em que vivemos.

Precisamos ter esperança e olhar para o mundo como seres iluminados que somos. Porque a paz nós conseguiremos descobrindo que somos pessoas melhores do que imaginamos.

Vamos ter a esperança do verbo esperançar e sermos agentes da nossa transformação.

Voltando à paz e à divisão a que se refere o texto de Mateus. A divisão ali referida ocorreu porque as pessoas não tinham a conscientização que buscamos hoje: sermos abertos ao novo e olharmos o novo como algo que pode ser acrescido ao nosso conhecimento e à nossa vida. Não termos tantos bloqueios, nem ficarmos cristalizados em preconceitos.

Termos um olhar fraternal com relação às pessoas e de acolhimento a ideias que podem transformar o mundo, e sermos agentes dessa transformação. Assim nós alcançaremos a paz a que Jesus se referira: “Deixo-vos a Paz, a minha Paz vos dou. Não vô-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” (João 14:27)

Será a nossa paz interior que vamos fazer brilhar no contexto em que estamos vivendo. Fazendo brilhar a nossa luz seremos agentes dessa transformação.

(1) Não nascemos prontos-provocações filosóficas, Mário Sérgio Cortella, Editora Vozes
(2) Quem se importa – “Um filme para quem acredita que pode mudar o mundo”, de Mara Mourão (DVD)

 

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