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Elda Evelina é artista visual, palestrante e escritora. As ilustrações e capas de seus livros, em sua essência de conteúdo espirituais, são criações suas. Suas obras (artes plásticas e eletrônicas), livros, palestras, mensagens e cartões estão publicados no site eldaevelina.com e seus livros também estão disponíveis no site bookess.com.br/profile/eldaevelina."

 


Percepções no silêncio

 
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Obra: Beija-flores

Não obstante já ter procurado refletir sobre a vida de silêncio, vivenciada por aqueles que têm sua capacidade auditiva limitada, ou até mesmo ausente, neste momento procuro dispor-me a analisar com mais cuidado sobre essa experiência.

Procurei alguns exemplos de vivências, lembrar-me de filmes a respeito do tema e algo mais que me levasse a ter uma visão mais enriquecida sobre o assunto.

O ouvir para mim sempre teve grande importância. Gosto muito de música, lido com a comunicação através da palavra (escrita e falada), tenho atenção especial à entonação da fala das pessoas à minha volta, gosto de ouvir o canto dos pássaros e me oriento a partir dos sons. Poderia trazer inúmeras situações em que o som pode parecer-nos imprescindíveis para nossas experiências diárias.

Como seria viver sem esse tipo de percepção sensorial?

Eu já tenho convivido com algumas dificuldades com relação à compreensão de alguns sons, mais especificamente quando converso com alguém. Ouço, mas há momentos em que não compreendo inteiramente o que está sendo dito. Isso já me traz algumas dificuldades. Por ora, no entanto, é plenamente administrável. É só pedir para que a outra pessoa repita e eu prestar mais atenção, principalmente a partir do movimento labial.

Voltando às oportunidades que tive de ouvir falar sobre o tema, lembro-me de haver assistido a alguns documentários, ou mesmo relatos jornalísticos, em que se mostrava a possibilidade do perceber os sons sem a capacidade auditiva preservada. Afinal de contas, o som é só a expressão auditiva da vibração do ar, por conseguinte, o som pode ser percebido sem que se tenha a vivência auditiva dele.

Assisti a apresentações musicais protagonizadas por pessoas com deficiência auditiva, com performance primorosa. Nós, os ouvintes, podemos usufruir pela audição e pela sensação vibracional. Os com capacidade auditiva reduzida podem usufruir pela percepção em todo o seu corpo.

Não é uma visão interessante da situação apresentada? Aqueles, como eu, que podem “ouvir” a vibração do som, muitas vezes limitam-se a percebê-lo tão somente através desse sentido. Os com capacidade auditiva reduzida terão a experiência lúdica e intensa da sensação por todo o seu corpo. Vale a pena experienciar esse tipo de percepção, por certo acrescentará valores à própria vida, expandindo o olhar para o mundo à volta.

Buscando informações que pudessem enriquecer o texto que me propus a trazer para homenagear o Dia dos Surdos e, por conseguinte, àqueles que vivenciam essa experiência em todos os dias de sua vida, encontrei uma entrevista com um jovem que, após sua caminhada pela infância, adolescência e juventude, com ausência da capacidade auditiva, encontrou uma maneira melhor de lidar com suas limitações e hoje é professor de Libras em uma escola pública e, pelo que pude perceber, fazendo muito sucesso. Vale a pena assistir ao vídeo, cujo link publiquei logo abaixo deste texto, juntamente com outras sugestões para acesso.

Neste caso, em particular, ele enfatiza a importância da aprendizagem da língua de sinais – LIBRAS. Trouxe a ele mais interação com outras pessoas, em particular com pessoas que vivenciam as mesmas limitações auditivas. Expandiu sua percepção sobre o mundo e permitiu a ampliação dos seus conhecimentos na vivência escolar.

Também para ele foram de grande valor as experiências por que passou. Partilha estas com os pais das crianças sob seu cuidado na escola em que trabalha, auxiliando na condução do assunto e valorização de algumas alternativas importantes.

Em síntese, precisamos ter um olhar mais arguto sobre o como interagir com as pessoas e com o mundo, não importando eventuais fragilidades ou limitações do nosso dia a dia.

Devemos buscar fazer de nossas fragilidades “molas” propulsoras no nosso caminhar. Não sejam fragilidades e sim alavancas para novas descobertas, novas percepções, novos horizontes. Muitas vezes deixamo-nos abater com as dificuldades para alcançar alguns objetivos… quem sabe precisamos aprender novos caminhos, “sair da caixa”, como se diz atualmente? Provavelmente os caminhos e metas encontradas, a partir de então, sejam muito mais ricas e gratificantes.

Certa vez, em um documentário sobre a perda da acuidade visual, até mesmo a perda total da capacidade de ver, ouvi uma declaração de um dos entrevistados que dizia algo como: nós vemos não só com os olhos, também com os ouvidos, com o olfato, com a sensibilidade, os sentimentos, com as emoções, com o tato, com nossos condicionamentos, memórias, conceitos e conhecimentos.

Podemos trazer essa reflexão para o tema a que nos propusemos abordar. Creio que não ouvimos só com a percepção do som em nossos ouvidos. Acessamos essa percepção também com o corpo, com a associação de ideias pelas experiências vivenciadas, emoções, conceitos, conhecimentos adquiridos através de outros sentidos, sensibilidade, até mesmo o olfato, por que não?

O importante é saber driblar os obstáculos, contornando as dificuldades, percebendo o que existe à nossa volta através de novos olhares e percepções. Aproveitar a vida em sua beleza, por simplesmente podermos existir agora, em um intervalo de tempo dentro da eternidade.

 

MAIS DE ELDA EVELINA



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  Contato: elda@eldaevelina.com

 













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