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Xanda Nascimento: sócia diretora da Nossa Galeria de Arte, primeira galeria condecorada com a Medalha Tiradentes (maior honraria do Estado do Rio de Janeiro), artista plástica e multimídia, webdesign master, colunista cultural, poetisa, curadora de arte e gestora cultural. É verbete da Enciclopédia Itaú Cultural, do Mapa de Cultura do Estado do Rio de Janeiro e do Catálogo Online de Arte da Nossa Galeria de Arte."





Brasileira, nascida na cidade do Rio de Janeiro, Andréa Ággata, nossa entrevistada do mês, tem vasta experiência internacional. Ággata começou sua carreira no Brasil, passando pela Europa e, despontando no Japão, ganhou com isso o mundo. Como atriz, trabalhou em novelas e minisséries nas principais emissoras do Brasil e Japão, como também em participação de comerciais e vídeo clipe para importantes empresas e cantores internacionais na Europa e Ásia. Como dançarina e cantora participou em eventos e programas de TV de empresas multinacionais dentro e fora do país. Atualmente trabalha nos mais importantes eventos artísticos de Tokyo e nos principais canais de televisão, casas de show e restaurantes no Japão e no Brasil.

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📷  Foto: Adriana Nassar

Xanda - Dançarina, atriz, cantora, compositora. Quando nasceu seu interesse pela arte? Gostaria que contasse como isso tudo começou.

Andréa Ággata - Minha carreira começou desde muito cedo, eu sempre gostei e tive interesse pela música, meu pai é músico e sempre tocava pra família. Aos 9 anos de idade eu aprendi a tocar "Gatinha manhosa", que é uma música que eu lembro até hoje, pois meu pai sempre tocava pra mim, e este foi meu primeiro solo no violão. Lembro-me que eu tinha acabado de fazer uma cirurgia de apêndice, saí do hospital e não podia segurar peso, mas logo em seguida foi meu aniversário e eu ganhei uma guitarra de presente. Minha mãe fez um bolo no formato e tamanho real de uma guitarra, foi um aniversário inesquecível, pois eu nunca vi um bolo tão grande. A partir daí, decidi me esforçar sem me importar com os calos que ficavam em meus dedos de tanto tocar minha guitarra. Estando bem mais preparada fui tocar e cantar na igreja, ali fiquei um bom tempo. Paralelamente, comecei a modelar, fazia vários showmíssios, sem me importar com o cachê, que muitas vezes era um cachorro quente com um suquinho, era gostoso, era engraçado. Foi um tempo que ficou bem marcado, sinto falta, acho que hoje em dia não tem mais showmíssio. Lembro-me que eu era pequena nesta época, meu pai tinha uma brasília amarela e depois dos shows vários fãs corriam atrás da brasília gritando meu nome e pedindo autógrafo, era muito engraçado e gratificante. Meu nome ainda não era Andréa Ággata, era meu nome de registro Andréa Dias. Mas eu fui crescendo e conheci várias bandas da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, então eu comecei a fazer show, só que ao invés de só cantar, eu também sempre fui apaixonada pela dança, então eu viajava pelo Brasil inteiro cantando, dançando e também fazia muito backing vocal para alguns artistas conhecidos musicalmente.

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📷  Foto: Marcos Paulo

Nesta época eu ainda não tinha pensado assim: Andrèa Ággata tem que cantar realmente o que ela sente, o que ela quer de verdade enfim, as músicas, as composições sempre vinham pra mim e eu não escrevia, eu deixava passar, interessante, mesmo sabendo que eu deveria escrever, meus amigos sempre diziam, que eu deveria escrever, que não deveria deixar passar este dom, eu me lembro que demorou pra cair a ficha de pois que fiz minha primeira composição. Foi com 17 ou 18 anos que eu fiz uma música romântica, e eu deixei guardada com muito carinho, guardei a melodia e só vim registrar por agora, foi uma música que muitas pessoas da área escutaram e gostaram. Diversas pessoas quiseram comprar esta música, mas nunca vendi, pois eu sabia que um dia eu ensaiaria e cantaria. Como compositora, é uma das músicas que tenho mais carinho, talvez por ser a primeira composição que eu fiz.

Você foi uma das "mulatas do Sargentelli", grupo de dançarinas que se apresentavam em espetáculos de samba. Como foi representar a beleza da mulher negra no Brasil e no exterior? Quais os desafios e benefícios de integrar este time?

Sem dúvida uma responsabilidade muito grande, estamos cercados de mulheres lindas e maravilhosas e ser escolhida para ser uma das 16 mulheres pelo grandioso Sargentelli foi uma honra enorme, no exterior nem se fala, pois como costumam dizer: a beleza da mulher brasileira é exótica e diferenciada.

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📷  Foto: Acervo Pessoal

Acredito que os maiores desafios foi representar esse time em grande estilo, pois nosso querido Sargentelli era muito exigente e cuidadoso com suas mulatas, tínhamos que ser perfeitas, nada poderia dar errado. Quanto aos benefícios, só em dizer que era mulata do Sargentelli as pessoas já te olhavam de uma maneira bem diferente, totalmente ao inverso de quando você é simplesmente uma passsista de escola de samba.

Passista de várias escolas de samba, cite algumas escolas em que desfilou e como foi a repercussão da sua participação no carnaval carioca.

Beija-Flor, Império Serrano, Viradouro, União da Ilha, Rainha do Bloco do Cacuia, entre outras. A partir daí, convites para participações em concursos foram surgindo e fui sendo aprovada, como por exemplo um concurso pra representar a marca Coca-Cola, não no Brasil, mas na Inglaterra e na Grécia, onde eu fui modelo. Tinha uma parte que eu me apresentava também dançando dentro de um estádio nas Olimpíadas da Ilha Chipre localizada na Grécia e também pro concurso Miss Universo. Eu lembro que este programa passou no Muvuca, alguém do Brasil viu e apresentou nosso trabalho no exterior, isto foi um grande passo na minha carreira.

Em 2010 você foi a 1ª Princesa do Cordão do Bola Preta. Como se sente ao escrever seu nome na história do bloco de carnaval considerado patrimônio imaterial da cidade?

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📷  Foto: Acervo Pessoal

Acredito que tenha sido muito importante para minha carreira nesse momento, fiquei muito emocionada não só por mim, mas pelos componentes do bloco que me receberam e me recebem com muito carinho até hoje. Além da emoção por conta desse carinho por parte de todos, outro fato que me emocionou profundamente foi lembrar da minha avó Albertina que sempre desfilava em blocos e escolas de samba.

Estando tão envolvida no mundo do samba carioca, quando e por que você decidiu se mudar para o Japão?

Logo que eu voltei do trabalho que fiz pra Coca-Cola, havia um grupo no Brasil que eu era vocalista junto com um amigo, o nosso trabalho ia pra televisão, mas tivemos uma decepção e infelizmente não foi possível, pois o empresário impôs umas condições, dizendo que nosso trabalho não iria pra televisão se eu não aceitasse o que ele havia imposto, que eu não aceitei. Fiquei então desanimada de cantar, mas continuei compondo, foi então que fui trabalhar na Terra do Sol Nascente.

E no Japão, como foi desfilar nas escolas de samba de lá? Como vê a internacionalização do samba em um país altamente tecnológico como o Japão?

Muito mais que a experiência de poder desfilar, foi ensinar e coreografar os japoneses (acredito que alguns tenham o sangue brasileiro). Convivi com eles durante quinze anos e pude perceber que os japoneses simplesmente amam o Brasil e levam tudo isso muito a sério, como nós brasileiros.

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📷  Foto: Marcos Paulo

Você foi protagonista em uma novela no Japão. Quem foi sua personagem? Fale um pouco sobre ela.

Sim. Viva Maria, minha personagem, era uma jovem muito sonhadora e habilidosa, ela adorava ajudar as pessoas, foi para o Japão ainda jovem e lá conheceu Saito que se tornou um grande amigo. Ele tinha um coração duro com as pessoas, mas com Viva Maria, que era a luz que lhe faltava, era diferente. Ele não queria mais viver decepcionado com sua vida, até que Viva Maria o encontrou amargurado e desanimado, mostrando-lhe um novo caminho, onde ele a enxergou como o sol que faltava iluminar a sua vida. Viva Maria trabalhava em uma casa de espetáculos, onde representava a cultura brasileira no Japão, e Saito a ajudava nos bastidores. Com o passar do tempo Saito se apaixona por Viva Maria, mas carrega isso com ele pelo fato dela ser brasileira e pelas culturas serem totalmente diferentes, mas Saito vê que Viva Maria tem muitos sonhos e decide ajudá-la. Ele construiu um espaço para que todas as pessoas pudessem aprender a dançar gratuitamente e serem mais felizes. Os anos passaram... Viva Maria retorna ao Brasil pelo fato de não ter visto permanente, eles continuam se falando e Saito continua apaixonado por ela em segredo, então ele compra um teatro para realizar o sonho de sua amada, mas quando realiza já é tarde demais, chega uma carta de uma amiga avisando sobre o falecimento dela. Ela tinha câncer, mas nunca disse ao seu grande amigo e morreu aos 50 anos. Enfim, Saito entrou em depressão profunda e todos os seus amigos fizeram de tudo para reanimá-lo, até que conseguiram reunir várias lembranças de Viva Maria que o deixava muito feliz, com isso ele passou a ver seu sol brilhar novamente.

Tem alguma curiosidade para nos contar durante o tempo em que viveu no Japão? Diferenças culturais pela qual passou?

Assim que eu cheguei no Japão eu não sabia falar a língua local. Eu não sabia falar nem a palavra "você", falava igual um índio, não gostava nem de sushi e sashimi. Uma vez eu estava numa festa super requintada e pela primeira vez eu tive que comer uma comida obrigada, meio que forçada, pois chegou um japonês e perguntou: você não vai comer? Eu tinha uma amiga que entendia a língua mais ou menos, e disse a ela: Diz pra ele que não gosto, que eu não quero. Ela virou e falou pra mim: Andréa, acho bom você comer porque ele é o dono da festa. Imediatamente eu coloquei o sushi na minha boca, engoli com wasabi que é uma raiz forte horrível, mas enfim eu tive que comer meio que forçada.

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📷  Foto: Eduardo Silva

Esta foi uma experiência diferente, mas que faz parte da minha vida. E onde tudo começou na verdade foi em Aomori. Eu lembro que era muito frio para quem mora no Rio de Janeiro, pois o clima está sempre mais quente do que frio. Eu cheguei no Japão no mês de dezembro com a temperatura abaixo de zero graus, um frio que os meus casacos não suportavam. Minha sorte é que os hotéis sempre eram bem aquecidos, mas pra sair, pegar condução e chegar ao destino era complicado. Eu sofri muito, tanto na conversação, que eu não sabia falar nada, quanto com o frio, que eu não conseguia me acostumar, tanto é que o meu primeiro salário gastei inteiro com ligações pra minha mãe, ligava desesperada por uma depressão que surgia. Eu fui obrigada a aprender a falar o idioma japonês, pois eu tinha dificuldade em pedir ajuda pras pessoas até pra poder comer, eu falava que eu estava com fome e as pessoas não entendiam, eu passava a mão na minha barriga pra indicar que estava com fome e as pessoas achavam que eu estava com dor de barriga, daí eu pensei que se eu não aprendesse a falar japonês eu ia morrer de fome. Então eu decidi aprender esta língua de qualquer jeito, peguei o dicionário, comecei a estudar e com 3 meses eu estava falando o básico. Esta é mais uma vivência que marcou muito e é um grande aprendizado que eu levo pro resto da minha vida, graças a Deus. Hoje eu falo japonês fluente, trabalho como intérprete, guia para japoneses. Por conta disso, até compor e cantar em japonês eu já fiz, ainda não gravei e nem lancei, mas tenho a letra, eu adoro as músicas japonesas.

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📷  Foto: Acervo Pessoal

Enfim, meu percurso no Japão alcançou desde Tókio até muitas outras localidades da Terra do Sol Nascente, cantando, dançando ou ensinando em hotéis, em shows abertos, em carnaval, em festas de celebração de fim de ano, em muitas outras situações, bem como canais de TV. Eu tive uma experiência muito grande quando eu fiz uma audição para uma novela da NHK, onde eu interpretei Viva Maria, como falei anteriormente. Eu jamais pensei em ir para o Japão, quanto mais ser protagonista de uma novela numa emissora que é concorrida pelos artistas japoneses, onde até para eles é difícil conseguir fazer uma novela nesta emissora, por isso foi muito gratificante para mim. Eu fiz teatro no Japão, estudei outras modalidades. Minha outra paixão é a culinária japonesa e internacional, para mim tudo envolve a arte. Depois de 15 anos morando na Terra do Sol Nascente, que é um lugar maravilhoso para se viver, eu retorno ao Brasil. Tem dois anos que voltei, e nestas idas e vindas, sempre trabalhei com uma banda chamada Anjos da Noite, que é uma banda especializada em bailes, flashback, com ritmos diversificados. Eu tenho muito carinho pela banda, desde 2009 que estou com eles, e o representante Marcos sempre me recebeu de braços abertos, mesmo eu indo e voltando pro Japão. Na minha carreira eu lancei a música "I need you so much", que me levou a fazer uma turnê no Japão. No Brasil eu relancei esta música com algumas adaptações para o público brasileiro.

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📷  Foto: Eduardo Silva

Sou uma cantora pop, mas eu canto aquilo que o público pede, no entanto componho com o coração e não com a razão, ou seja, eu não escrevo propositalmente uma frase por inferir que o público vai gostar, eu componho com o coração. Por exemplo, minha primeira música, que é uma música romântica, somente a melodia está sendo atualizada para os dias atuais.

Com base em sua vivência intercultural qual conselho você dá aos brasileiros que querem escrever um capítulo da própria história no Japão?

Que respeite sempre a cultura do país, pois isso é muito importante para alcançar qualquer meta, que tenham foco e que nunca desistam dos seus objetivos, mesmo diante de dificuldades contínuas.

O que a fez retornar ao Brasil?

O que me fez retornar ao Brasil foi um vazio inexplicável que sentimos quando ficamos distantes por um longo período longe da família, dos amigos e do nosso país, mesmo com toda violência. Sentimos falta do calor humano.

Quais valores culturais nipônicos você agregou na sua vida de volta ao Brasil?

Respeito, disciplina, pontualidade, responsabilidade.

Com fluência no idioma japonês, você abraçou a oportunidade de trabalhar nas Olimpíadas Rio 2016 como tradutora. Como foi essa experiência?

Foi extraordinária! Responsabilidade muito grande em passar tudo com muito tranquilidade para eles, e mostrar que o Brasil, apesar de todas as dificuldades e diferenças, é um país maravilhoso. Foi um pouco tenso pelo fato de estar com pessoas como ministro, arquiteto e patrocinadores das próximas olimpíadas no Japão, fiquei lisonjeada por conhecer tudo de perto e poder ter participado e trabalhado com eles aqui no meu país.

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📷  Foto: Diego Mendes

Atualmente você está envolvida com o seu trabalho musical. Como foi a gravação do clipe “I need you so much”?

Foi interessante, durante a gravação em um dos pontos turísticos em Santa Teresa eu literalmente parei o trânsito. As pessoas que passavam iam se aglomerando: crianças, moto boys, vários adultos, camburão da polícia e até o bondinho parou para assisti. Achei o máximo, apesar de cansativo achei muito divertido, mesmo em algumas partes perigosas quando gravamos no alto de uma pedra, pois já era de noite.

Conte como é o trabalho de divulgação da sua música?

Acredito que a principal ferramenta de trabalho talvez sejam as redes socias, onde venho divulgando para o mundo a fora e através de rádios e entrevistas. Aproveito a oportunidade para dizer que estou à procura de empresários e patrocinadores para ajudar a impulsionar ainda mais minha carreira.

Com o seu perfil multifacetado, quais seus próximos projetos?

Sou uma artista múltipla, além de compor, cantar, atuar, tenho em minha trajetória gravação de comerciais para importantes empresas como Coca-Cola, Samsung, gravação de vídeos clipes para cantores japoneses e americanos como Florida Bow Wow, fui uma das atrações principais do Japan Slow Motion Bikini Oil Girl Wresting e recentemente participação no Programa Pânico da Band.

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📷  Foto: Marcos Paulo

Minha trajetória é movida a novos desafios, vou lançar um canal para ensinar a língua japonesa. Além dos canais musicais, pretendo fazer musicais onde consigo cantar, dançar e atuar ao mesmo tempo, fui convidada para desfilar na escola de samba Mocidade de Padre Miguel e mais pra frente pretende ter um canal culinário.

Como seus trabalhos podem ser contratados?

Entrar em contato através do WhatsApp (5521) 98280-7359, pelo telefone (5521) 2751-2581, pelas redes sociais Andréa Ággata ou pelo email andreaaggata2015@gmail.com

 

 

Agradeço a Andréa Ággata pela atenção e disponibilidade para compartilhar sua história com os leitores da coluna Xanda Nascimento ENTREVISTA do Boletim Cultural Digital da Nossa Galeria de Arte.

Xanda Nascimento

 

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  Clique aqui e veja o clipe de “I need you so much”

  Contato: andreaaggata2015@gmail.com

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  Instagram: @andreaaggata

 













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