Fluxos em Expansão

Na Sala Aquarius até 14/03/22


 

O espaço de representação pictórica de Helena Muller não se prende a axiomas conceituais e estéticos. Com uma linguagem visual singular, Helena Muller estabelece relações entre cor, estrutura, linha e plano em fluxos dinâmicos que nos transportam até in locos imaginários, realidades de impermanência. Seu processo criativo cria contextos de imersões reflexivas ímpares, visto que ressaltam subjetividade única e própria à artista. Sua praxe e poética artística geram interações com o espectador, fazendo-o experienciar múltiplas interpretações possíveis a partir da fruição de sua memória afetiva diante da pintura ora apresentada.

Para a exposição “Fluxos em Expansão”, Helena Muller nos apresenta 30 obras que compõem as séries “Desenho e Aquarela”, “Diálogos” e “Enigma”.

Na série “Desenho e Aquarela”, a partir de um gestual leve, camadas de tinta e linhas, delineadas em lápis, grafite e nanquim, criam estruturas orgânicas sobre um campo de cor que se expande em fluxos de suaves matizes, conduzindo nosso olhar de forma fluída e contínua, afora do território delimitado pelo papel.

Esta propagação do fluxo fronteiriço da série “Desenho e Aquarela” converge para diferentes mapas que norteiam paisagens abstratas. Sim, estamos diante da série “Diálogos”. Nela, as técnicas nanquim, colagem e pintura conversam entre si em equilíbrio e harmonia, compondo uma rota que aflui para horizontes imagéticos de um mundo a ser revelado.

Para descortinar nossas retinas diante de mundos latentes a que fomos direcionados até então, Helena Muller nos convida a elevar nossos sentidos à poética da série “Enigma”, onde o racional guia o sensível. Nesta série, o fazer artístico de Helena Muller é pontuado pela inquietude diante do desconhecido e pela busca da solução velada. O fluxo condutor desta série é, segundo ela, uma viagem insólita que fez por ressonâncias magnéticas de modo a pesquisar uma patologia enigmática em seu osso do quadril. Ao publicitar o mergulho profundo que deu dentro de si, Helena Muller compartilha com o espectador sua interlocução entre o pragmatismo e o lirismo que se fusionam e se dissociam diante da efemeridade do tempo e espaço. Em “Enigma”, cada obra é constituída por quatro peças em perfeita sintonia, das quais emergem diferentes microcosmos facetados em aquarela e guache.

Nesse contexto, é importante destacar que a exposição “Fluxos em Expansão” nos oportuniza um olhar atento que vai muito além da anestesia da contemplação degustativa, dado que as obras de Helena Muller expandem nosso horizonte em um fluxo constante de ressignificados.

Por Xanda Nascimento, 2021.
Especialista em Gestão da Cultura pela Universidade Estácio de Sá, Curadora e Diretora Institucional da Nossa Galeria de Arte: galeria com méritos artístico e cultural chancelados com as mais altas honrarias do Estado e da Cidade do Rio de Janeiro, Medalha Tiradentes e Medalha Pedro Ernesto.