Segundo o quanto afirma o sociólogo Eric J. Leed, o tema viagem é indiscutivelmente ligado à experiência humana, na tentativa de conhecer o desconhecido através do conhecido, “o que escapa e você não reconhece” diria Frederik Bhart. A viagem portanto, entendida como paradigma da experiência autêntica e direta.
Viajar, mudar de lugar, imigrar como exigência da alma é experiência comum à civilização humana de todas as épocas, desejo que de forma recorrente se exprime com significado e modalidade diversa. O tema da viagem universalmente reconhecido recobre um campo metafórico amplo e denso de significados, em particular modo tudo o que concerne a vida entendida como caminho.
Vagar, viajar, mesmo temer o inevitável sentimento de mudança, ousarei dizer da transumância relacionada com o viajante, gera e satisfaz uma necessidade de mudança sobre a psique, uma mudança da percepção de si e dos objetos que o circundam antes, depois e durante a viagem, em direção a um pouso radical na transformação da percepção de si na relação entre viagem e experiência.
Isto pareceu na minha opinião, um pré-requisito necessário para a visão sobre o conhecimento de Solesp (Solange Esposito ) a qual o ponto de partida coincide com aquele do retorno, uma viagem-necessidade cuja identidade se enriquece na equação conhecimento/assombro, em um estado de perpétua “peregrinação” onde somente durante o caminho o “peregrino” se sente em casa.
Como o viajante não encontra a paz assim a alma de Solesp (Solange Esposito ), que mesmo podendo gozar do retorno em seu local de partida e dos benefícios obtidos, continua a sentir a urgente chamada à aventura da arte que faz divisa com a magia da captura cromática e há lugar no encanto insidioso do retrato de quem encontra e da paisagem que visita.
As paisagens da artista neste caso são fotografias da alma, veladas de recordação dos lugares visitados inclinados para uma tensão de amor à solidão. Não foi por acaso que Solesp (Solange Esposito ) de origem brasileira, italiana por escolha é imprensada entre dois termos tão obscuro como explicativo de sua arte sempre movida pelo impulso de uma alma que não encontra a paz; dois conceitos a “saudade” brasileira e a “salentitudine” – termo bem conhecido na ponta extrema da Itália. Dois conceitos que ligam estas duas terras em uma só e inexplicável emoção o profundo sentimento de solidão e alienação que afeta os que vivem nestas terras de acolhimento e cor, enquanto o abandono, como se a própria mão de uma solidão arcaica chamasse de volta para o lugar de sua origem a partir do qual a despedida é sempre dolorosa.
Solesp (Solange Esposito ) é capaz através do domínio da técnica adquirida ao longo dos anos e graças ao mundo imaginativo e da extraordinária capacidade da arte de criar visões, diminuir essa dor diluindo através de sua visão e dissolvendo, na liquidez das cores que lembram não a uma imagem fotográfica, mas com um "clique" da alma entendida como um baú de memórias acumulado durante sua viagem que a artista generosamente nos dá.
Rosanna Gesualdo, 2011