Alma Feminina

Na Sala Phoenix até 14/04/2021


Com trajetória consolidada no Brasil e no exterior, Esterlita Salles não chama para si a condição de artista a ser aclamada. Em vez de ostentar os reconhecimentos recebidos ao longo do seu percurso artístico, Esterlita dispõe sua experiência, sensibilidade e expertise técnica a serviço de uma poética de fluxo contínuo, criativo e inesgotável.

Para a exposição “Alma Feminina”, Esterlita Salles revisita suas pinturas, traçando um recorte em sua produção artística, conectando trabalhos que celebram significações do universo feminino, tema implícito ou explícito em várias de suas obras. Para isso, utiliza-se de um lirismo inquietante, estabelecendo nexos entre a flor, símbolo do feminino, e a mulher, reinterpretada em narrativas livres de estereótipos condicionados pelos ecos do passado.

Durante séculos, o corpo feminino figurou na arte como arquétipo de um olhar masculino, sendo associado ao desejo, erotismo e sensualidade, mas também a pureza, maternidade e divindade (mística e mítica). De musa etérea a modelo impírico, de inspiração a objeto de desejo, o corpo feminino sob o holofote artístico foi elevado a um gênero pictórico: o “nu feminino”. Entretanto, mesmo sob essa áurea de Vênus ¹, a mulher atuou na cena pictórica passivamente como coadjuvante, uma vez que o protagonista era o pintor à frente da tela.

Passados os séculos, voltemos ao Hoje. Em cena a exposição “Alma Feminina”... À frente das telas: Esterlita Salles.

Em “Alma Feminina”, as pinceladas de Esterlita Salles nos levam não somente a contemplação do belo, mas também conduzem à reflexão sobre a natureza feminina envolta em ilações de solidão e melancolia, sensualidade e desejo, paz e silêncio, labor e alegria. Esterlita Salles nos apresenta a mulher como Ela é: protagonista do seu tempo.

 

Xanda Nascimento, 2021

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¹ Referência a obra “O Nascimento de Vênus” de Sandro Botticelli.