Sobre a tela “Casa da Fé”

Oscar D’Ambrosio


Casa da Fé

O novo coronavírus e a COVID-19 despertam uma inquietação física e psicológica. Trata-se de estar preocupado com a nossa saúde, com a das pessoas que amamos e com a daqueles que desconhecemos. É impossível ficar passivo perante as imagens e a histórias que temos ciência a cada dia.

Além disso, o isolamento, que reduz os diálogos presenciais e estimula os virtuais, vem levando muitos a pararem para refletir sobre a própria vida. Em uma sociedade cada vez mais acelerada, surgiram respiros e silêncios. E a religião, independendo da crença de que cada um, como a própria origem da palavra indica, é um ato de se religar a si mesmo e ao mundo.

A tela “Casa da Fé”, de Julianna Vidnik, que retrata a Igreja da Virgem Maria na Pedra, Cidade Szentendre, Hungria, traz elementos que apontam para essa reconexão, plasmada em uma paz visual. Se as linhas retas do templo transmitem segurança e ordem, as pinceladas que dão forma à natureza e às flores são construídas com maior arredondamento e liberdade.

A amplidão do céu azul parece indicar a perspectiva de equilíbrio no futuro e, para isso, será necessária a serenidade de saber ouvir muito, falar pouco, usando as palavras exatas, e ter a capacidade de contemplar os olhos dos outros com ampla compreensão e compaixão. Isso permitirá erguer um planeta como uma grande e nova casa harmônica.

Oscar D’Ambrosio, 2020.


Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.