Mensagens no Urbano

Na Sala Phoenix até 07/12/2020


Para se entender a essência da exposição "Mensagens no Urbano" é importante salientar que ela se inicia tomando como base a negação da inóspita realidade que nos circunda, e sobretudo, os menos favorecidos. Quanto às crianças, nem falar! A sua sobrevivência contrastada com a carência do essencial - e somada a educação - se torna, então, uma chaga a me incendiar intimamente. Tentei retratar tais sentimentos, da forma mais intensa que pude, me utilizando de pastéis, tintas e papel.

Esse contraste profundo e, diria, até doloroso, culmina em obras como: “O Filme do Absurdo”, "Da Pompa à Circunstância" e o “Sonho Brasileiro”.

Passada essa minha primeira fase, apesar de cumprir com a tarefa de retratar a dura realidade, na tentativa de gritar a todos a injustiça, passei a me questionar sobre o que estaria eu acrescentando de favorável se, para mim, já era tudo tão óbvio? A partir daí, o vórtice mudou. A linguagem se abrandou e o trabalho passou a adentrar-se pelas vielas da “insustentável leveza do ser”.

Entretanto, aquele contraste continua presente, ainda na expectativa de clamar a atenção... pelo material e pelo imaterial. A bendição do espiritual, do inefável, passa, assim, a arrebatar as imperfeições do mundo.

A colagem permanece como marca do concreto, mas a acrílica se desenvolve em aguadas, permitindo que a fluidez do verdadeiro e do ser transpasse tudo o que chamamos de realidade. Isso se percebe nos primeiros trabalhos, “Big City”, “Em Volta do Ipê” e “Entre Acordes”, bem como nos demais.

A marca sobre a superfície, que não seja a do pincel ou do lápis, desperta-me um profundo interesse a partir de 2016. Surge, então, a vontade de explorar tudo outra vez, porém no computador. A Arte Digital - que fascínio!

Os trabalhos, “Cenas de um Guarda-Chuva in Grey”, “Cenas de um Guarda-Chuva – Luminous" e "Sunset na Cidade", são alguns exemplos dessa mudança de paradigma que permite variações de traços e matizes inimagináveis. Os trabalhos, após serem impressos, são enriquecidos se utilizando de técnicas com mídias distintas: acrílica, colagem, canetas e diferentes tipos de lápis de cor.

As cidades e o concreto, com suas idiossincrasias e desigualdades, e a colagem...

A música, a arte, a natureza e as aguadas, contendo a significação da essência e do espírito, que tudo liberta e edifica.